Ensinando de forma prazerosa

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“E a grande multidão o ouvia com prazer” (Marcos 12.37).

O versículo citado logo acima é a conclusão de uma perícope do Evangelho segundo Marcos (12.35-37), em que Jesus estava ensinando no templo. Após o seu ensino, o evangelista relata que a grande multidão presente o ouvia com prazer. Que afirmação extraordinária! Certamente, trata-se do sonho de todo pregador, palestrante, professor, líder de Célula (pequeno grupo), enfim, de pessoas que lidam com o ensino. Ao ler uma constatação como essa, a pergunta que imediatamente me vem à mente é “por quê?”. Por que aquela grande multidão ouvia Jesus com prazer? O que havia no ensino de Jesus que fazia dele prazeroso, ou seja, gostoso de ser ouvido?

Ao observar bem os três versículos dessa perícope, podemos encontrar a resposta. Neles, encontramos três características do ensino de Jesus que faziam como que ele fosse prazeroso, o que não quer dizer que ele não fosse confrontador. São elas:

1. Jesus questionava o lugar comum do ensino e da tradição da religião

O versículo 35 nos diz que “Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi?”. A questão aqui não é que Jesus estivesse duvidando disso. Era verdade que o Cristo seria filho de Davi, o que é confirmado através da genealogia do Evangelho segundo Mateus (Mateus 1.1-17). Contudo, esse entendimento, no ensino dos escribas, limitava a figura do Cristo a apenas um ser humano, não sendo divino. Diante disso, Jesus questionou a religião, abrindo a mente de seus ouvintes para novas e corretas perspectivas.  Essa atitude, também tomada em outros momentos, fez com que o seu ensino despertasse o interesse das pessoas, pois as conduzia à verdade, tirando-as do lugar comum da tradição.

2. Jesus expunha a Escritura, considerando-a inspirada pelo Espírito Santo

Após questionar a religião dos judeus, Jesus expôs um texto da Escritura (v.36), considerando-o inspirado pelo Espírito Santo. Quando as Escrituras são lidas, explicadas e aplicadas, considerando-se a obra do Espírito Santo, tanto em sua produção quanto em sua exposição, haverá grandes chances do ensino ser prazeroso aos ouvintes. Escrevo “grandes chances”, pois pode ser que a maneira como aquele que ensina o faça seja desinteressante, o que não provocaria prazer em seus ouvintes, apesar das Escrituras, o que, certamente, não era o caso de Jesus. Ele confiou no poder das Escrituras para falar ao coração humano e, por isso, simplesmente as expôs. Assim, a grande multidão o ouviu com prazer.

3. Jesus instigava a reflexão e a desconstrução da religião a partir da Escritura

Por fim, após a rápida exposição da Escritura, Jesus fez um questionamento instigante, levando os seus ouvintes à reflexão e desconstrução  da religião, isto é, de ideias equivocadas e limitadas. Ele disse: “O mesmo Davi chama-lhe Senhor, como, pois, é ele seu filho?” (v.37). O texto exposto fora uma parte do Salmo 110, que diz: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés”. Se Davi chama o Cristo, apesar de ser seu descendente, de Senhor, colocando-o ao lado de Deus, como poderia ser o Messias meramente humano? Com essa pergunta, ele desejava que o povo o visse como o Filho de Deus, o que era obstaculizado por ideias religiosas equivocadas, que tinham que ser removidas. Agindo assim, apesar da confrontação e da ebulição na mente provocadas, ele fazia com que seu ensino fosse prazeroso, pois conduzia as pessoas ao encontro da verdade de verdade de Deus.

Você, enquanto alguém que ensina, deseja ter um ensino prazeroso, que desperte nas pessoas gosto por lhe ouvir? Então, sugiro que você abrace essas três ações de Jesus ao ensinar:

  1. Questione os lugares comuns
  2. Exponha a Escritura
  3. Instigue a reflexão e a descontração de ideias equivocadas

Agindo assim, acredito que teremos grandes chances de ser ouvidos com prazer!

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Sobre insightscristaos

Samyr Trad é teólogo, administrador e pastor na Igreja Batista Central de Belo Horizonte.
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