Multiplique-se!

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Multiplique-se é uma ordem dada por Deus aos seres humanos desde o início da criação. Em Gênesis 1.28 está escrito que Deus abençoou o homem e a mulher que havia criado e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”. Esse é o chamado mandato cultural. De acordo com Alexandre Amin de Oliveira, no blog Bereianos, “o mandato cultural envolve a vice-gerência do homem sobre o cosmos. Era para o homem desenvolver e manter tudo aquilo que havia sido criado por Deus. Através deste mandato, Deus colocou a humanidade em um relacionamento singular com a criação, para dominar e sujeitar (Gênesis 1.28), guardar e cultivar (Gênesis 2.17)”.

Qual a visão de Deus ao dar aos seres humanos a ordem de se multiplicar? Ele sonhava com uma terra cheia de homens e mulheres à sua imagem e semelhança, relacionando-se pacificamente uns com os outros, com o Criador e com a criação, desfrutando de uma vida abundante para sempre. A queda atrapalhou esse plano, mas não o frustrou. Apesar de ter chegado a se arrepender de ter criado o homem por causa do aumento de sua perversidade e das inclinações malignas de seu coração (Gênesis 6.5-7), e de ter varrido da face da terra quase todos os seres humanos que havia criado através das águas do dilúvio, preservando apenas Noé e sua família, após a rotina no planeta azul ter voltado ao normal, a ordem permaneceu a mesma e foi repetida a Noé: “Mas vocês, sejam férteis e multipliquem-se; espalhem-se pela terra e proliferem nela” (Gênesis 9.7). Contudo, como seria essa multiplicação a partir do pecado? Conseguiria Deus alcançar a sua visão com o ser humano maculado e corrompido?

A resposta, felizmente, é sim. Para conseguir realizar o seu sonho de uma terra cheia de homens e mulheres à sua imagem e semelhança e em plena comunhão uns com os outros, com o Criador e com a criação é que Deus chama Abraão e começa a empreender o plano de resgate da humanidade, o qual também teve como personagens fundamentais Moisés, Josué, os juízes, Samuel, Davi, os reis de Israel e Judá, os profetas e, finalmente, Jesus de Nazaré. Quando o Cristo, na cruz do Calvário, bradou “está consumado”, o que, exatamente, estava consumado? O plano de resgate da humanidade iniciado com o chamado de Abraão e que possibilitaria que a terra fosse cheia de homens e mulheres santos e a visão de Deus cumprida.

A aplicação desse plano ao ser humano pecador gerou a Igreja, que é a comunidade daqueles que foram, estão sendo e serão salvos do pecado, e farão parte da grande multidão incontável de pessoas de todas as nações que estará em pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas a palmas nas mãos (Apocalipse 7.9), e habitará a nova terra, a nova Jerusalém que descerá dos céus, da parte de Deus, como um presente para os seres humanos (Apocalipse 21.1-4). Grande multidão incontável de pessoas com vestes brancas e palmas nas mãos que habitará a nova terra?! O livro de Apocalipse nos mostra que, no fim das contas, a visão de Deus será alcançada. A pergunta agora é: Como?

Multiplique-se, mais uma vez, é a ação necessária. Jesus ordenou, em Mateus 28.18-20, que seus discípulos se multiplicassem em outros, indo, batizando e ensinando-os a obedecer a tudo o que ele lhes havia ordenado. Paulo, o apóstolo, praticou isso primorosamente e ensinou o seu discípulo Timóteo a fazer o mesmo. Ele orientou, em sua segunda carta, que Timóteo confiasse as palavras que dele havia ouvido a homens fiéis, que também fossem capazes de ensiná-las a outros (2Timóteo 2.2). Assim, uma cadeia de multiplicação de discípulos seria estabelecida: de Paulo para Timóteo, de Timóteo para homens fiéis e dos homens fiéis para outros.

No capítulo 15 do Evangelho segundo João, Jesus faz uso de uma metáfora em que Deus Pai é comparado a um agricultor, Jesus a uma videira e os discípulos aos ramos. Qual o propósito da viticultura senão a produção de uvas? Assim, ao fazer uso dessa metáfora, Jesus intentava dizer sobre a produção de frutos que ele e o Pai esperavam de seus discípulos. Afinal de contas, a responsabilidade pela produção das uvas é dos ramos. O agricultor e a videira apenas trabalham e colaboram para possibilitar isso. Se um pé de uva dá uvas, o que daria um pé de Jesus? Isso mesmo: Jesuses! Assim, o que o Pai e Jesus esperam dos discípulos é que eles produzam Jesuses em suas vidas, seja em si mesmos ou através de si mesmos. Como uva é uma fruta que dá em cachos, podemos dizer que a quantidade de uvas produzidas pelos ramos de uma videira é exponencial, digna da palavra multiplicação. Isto é o que Jesus e o Pai esperam de cada um de nós que somos seus discípulos. Que multipliquemos Jesus em nós e através de nós, de modo que toda a terra seja cheia de homens e mulheres semelhantes a Jesus, que é a imagem e semelhança de Deus (Romanos 8.29), e a visão de Deus, sonhada desde o início, seja alcançada. Qual será a sua contribuição para isso?

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Sobre insightscristaos

Samyr Trad é teólogo, administrador e pastor na Igreja Batista Central de Belo Horizonte.
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