Páscoa: origens e significados

É muito fácil perceber que a Páscoa está se aproximando. Basta entrar em uma loja de varejo qualquer. Pouco mais de um mês antes da data, essas estabelecimentos já se encontram com seus corredores e tetos abarrotados de ovos de chocolate. A Páscoa, hoje, é um dos grande períodos anuais de venda do comércio por um lado e uma grande oportunidade de crianças e pessoas em geral comerem chocolate à vontade e sem peso na consciência por outro. Essas coisas, entretanto, não têm nenhuma relação com as origens da Páscoa e apontam para um esvaziamento de seu verdadeiro significado.

As origens da Páscoa se encontram no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, especificamente no livro de Êxodo, nos capítulos 12, 13 e 14. A palavra hebraica correspondente é “pessach”, que tem como significado “passagem”. Essa passagem faz referência à transição da comunidade de Israel de escravos do Egito para uma nação livre, o que se deu de forma definitiva na travessia do Mar Vermelho. Israel atravessou o leito do mar a pés enxutos. O faraó e seus exércitos foram mortos pelas águas.

A passagem, contudo, foi antecedida por uma cerimônia que passaria a marcar o início do calendário judaico, sendo comemorada no primeiro mês de cada ano. O Senhor ordenou, através de Moisés e Arão, que cada família separasse um cordeiro ou um cabrito macho, de um ano e sem defeito. Esse animal deveria ser sacrificado, seu sangue passado nas laterais e nas vigas superiores das portas das casas e sua carne assada no fogo e comida com ervas amargas e pães sem fermento, sem nada sobrar e até a manhã seguinte; o que sobrasse deveria ser queimado.

Na ocasião da primeira Páscoa, em que a comunidade de Israel ainda era escrava dos egípcios, aconteceu a última das dez pragas que o Senhor enviou sobre o Egito: a morte dos primogênitos. Todos os primogênitos da terra do Egito foram mortos, com exceção daqueles que estavam nas casas marcadas pelo sangue. Foi uma noite de dor e choro para os egípcios e de libertação e alívio para os israelitas. Após esse duro golpe, o faraó decidiu deixar a comunidade de Israel partir de seus domínios.

Libertação da morte e da escravidão é o significado da Páscoa Judaica, o que foi confirmado e autenticado na Páscoa Cristã, que tem por eventos fundamentais a morte e a ressurreição de Jesus de Nazaré. Não foi por mera coincidência que a Paixão de Cristo se deu no período da Páscoa Judaica. Deus Pai queria mostrar aos judeus e aos gentios, ao mundo como um todo, que a morte do Cristo correspondia ao sacrifício do cordeiro ou do cabrito e que, assim como o sangue dos animais livrou os israelitas da morte e abriu caminho para a sua libertação da opressão egípcia, o sangue de Jesus livraria toda a humanidade da morte espiritual e da escravidão a Satanás e ao pecado. A libertação a ser comemorada não seria mais apenas física, política e econômica, mas espiritual, existencial e psicológica.

Portanto, libertação da morte e da escravidão é o significado das Páscoas Judaica e Cristã e é o que deve ser comemorado nessa data por cada um daqueles que crêem em Jesus Cristo, estão cobertos pelo seu sangue e têm recebido de seus benefícios. Essa é a grande razão da festa! O que ovos de chocolate e coelhos têm a ver como isso fica para uma próxima oportunidade.

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Sobre insightscristaos

Samyr Trad é teólogo, administrador e pastor na Igreja Batista Central de Belo Horizonte.
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5 respostas para Páscoa: origens e significados

  1. Rogério Matos disse:

    Caro Pastor Samyr,
    porque Deus pedia ao povo para matar um cordeiro ou cabrito de um ano e sem defeitos e comer paes sem fermento? Entendo que é um sacrificio oferecido a Deus, mas qual o propósito? O que Deus quis ensinar ao seu povo?
    Abraço,
    Rogério

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    • Ol�, meu caro! O sacrif�cio do cordeiro ou cabrito de um ano e sem defeitos apontava para o sacrif�cio de Jesus na cruz do calv�rio. Deus estava ensinando aos israelitas e ao mundo que pecados s� podem ser tratados com derramamento de sangue inocente. A quest�o dos p�es sem fermento tem a ver com o pouco tempo que os israelitas teriam para preparar a refei��o pascal. Assim, n�o poderiam esperar pela fermenta��o da massa do p�o. Assim, ele teria que ser feito sem fermento. Grande abra�o

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  2. Pablo Forlan Andrade Valandro disse:

    Obrigado pelo ensinamento Pastor Samyr!!! Depois que li seu texto, pensei bastante sobre o deserto e sobre a terra prometida… Nossa caminhada, apenas começou com a Libertação que Jesus nos deu de graça pelo seu precioso Sangue.

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  3. Cinthia Vitório de Queiroz disse:

    Agora fiquei curiosa para saber sobre os ovos de chocolate e coelhos! rsrs

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