O outro conselheiro

Pregação realizada no dia 3 de junho de 2010, na Igreja Batista Central de Belo Horizonte

Textos-base: João 14.15-30; 15.26-16.16

I. Introdução:

Se Jesus, de um grupo de quinhentos discípulos, comissionou setenta para uma missão especial; desses setenta, selecionou doze para serem apóstolos; dentre esses doze, tinha três que lhe eram mais próximos; desses três, tinha um que lhe era íntimo. Trata-se de João, que se autodenominava “o discípulo a quem Jesus amava” (João 21.20-24).

O Evangelho segundo João é o mais reflexivo e, conseqüentemente, teológico dos quatro evangelhos. Nele, sob a inspiração do Espírito Santo, além de fatos selecionados da vida de Jesus, o discípulo amado registrou cerca de sessenta anos de reflexões pessoais sobre o Cristo. João começou a ser seguidor de Jesus quando tinha entre dezessete e vinte anos e escreveu o seu evangelho quando tinha pouco mais de oitenta anos.

O Evangelho segundo João é um livro que apresenta importantes diálogos e discursos de Jesus. Há o encontro de Jesus com Nicodemos (3.1-15); a conversa de Jesus com uma samaritana (4.1-26); discursos de Jesus à multidão que o seguia e a seus discípulos, bem como embates entre ele e os judeus incrédulos; e diálogos íntimos entre ele e os seus apóstolos. Esses diálogos têm início no capítulo 13, com o chamado lava-pés, e terminam no último versículo do capítulo 17, a chamada oração sacerdotal de Jesus.

Os dois textos que lemos fazem parte desse diálogo e têm como um de seus temas o Espírito Santo, assunto da pregação desta noite.

II. Desenvolvimento:

Faça o seguinte exercício mental: imagine que você está na Palestina do século I, especificamente em Jerusalém, e que é o apóstolo João. Neste momento, você está em um cenáculo, com Jesus e os demais apóstolos, participando do que seria a última refeição do mestre com os seus discípulos antes de sua crucificação. Como você se sentiria ao ouvir Jesus dizendo que estava de partida?

Ao ouvirem essas últimas palavras de Jesus antes de sua morte, os apóstolos com ele reunidos poderiam ter experimentado sentimentos de orfandade e tristeza (14.17; 16.6). “Jesus irá voltar para o Pai?! E agora?! O que será de nós?!”. Nesse contexto, ele lhes promete enviar outra pessoa para substituí-lo. Trata-se do Espírito Santo, a terceira pessoa da trindade divina, o qual foi assim apresentado por Jesus:

1.   O Espírito Santo é o outro conselheiro

O Espírito Santo é o outro conselheiro (14.16). A palavra grega correspondente a “outro” tem como significado “do mesmo tipo”, “semelhante”. A palavra grega correspondente a “conselheiro” tem como significado “companheiro”, “auxiliador”, “ajudador”. Jesus disse que o Espírito Santo lhe substituiria à altura. Estar com o Espírito Santo seria semelhante a estar com Jesus. O Espírito Santo seria enviado aos discípulos pelo Pai a pedido de Jesus (14.16,26), ou por Jesus da parte do Pai, porque provém do Pai (15.26; 16.7). O Espírito Santo, diferentemente de Jesus, não teria que ir embora em determinado momento. Ele estaria com os discípulos para sempre (14.16). Receber o Espírito Santo seria privilégio dos discípulos de Jesus. Apenas os discípulos de Jesus poderiam vê-lo e conhecê-lo (14.17). O Espírito Santo não apenas viveria com os discípulos, mas, também, estaria neles (14.17). Os discípulos não ficariam órfãos, pois Jesus voltaria a eles na pessoa do Espírito Santo (14.18). Eles poderiam ver Jesus através do Espírito Santo (14.19,28). O Espírito Santo é o companheiro de vida de que o discípulo de Jesus necessita.

2.   O Espírito Santo é discipulador

Quanto a isso, segundo Jesus, o Espírito Santo executaria duas funções (14.26): 1. Ensinar todas as coisas aos discípulos. O Espírito Santo é a fonte de conhecimento sobre Deus é a criação. Ele é o inspirador e, assim, a origem da Bíblia. Quem tem o Espírito Santo tem acesso ao conhecimento de todas as coisas; 2. Fazer os discípulos se lembrarem de tudo o que Jesus lhes havia dito. Até aquele momento, os discípulos já haviam aprendido muitas coisas com Jesus. O Espírito Santo faria com que eles, de acordo com a necessidade da ocasião, se lembrassem do que Jesus lhes havia dito. O Espírito Santo seria como a memória de um computador, que busca no HD as informações que estão sendo solicitadas. O Espírito Santo é tudo que um discípulo necessita para ter conhecimento de Deus.

3.   O Espírito Santo é testemunha

Jesus disse que o Espírito Santo testemunharia a respeito dele (15.26), ou seja, que o Espírito Santo iria tornar conhecidas para as pessoas as obras que Jesus estava fazendo. Como ele faria isso? Através dos discípulos de Jesus (15.27). Jesus disse em Atos 1.8: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém e Samaria, e até os confins da terra”. O Espírito Santo é o poder de que o discípulo necessita para testemunhar a respeito de Jesus.

4.   O Espírito Santo é quem convence

O que significa o verbo “convencer”? De acordo com um dicionário é “levar alguém a reconhecer uma verdade, apresentando provas ou argumentos”; “persuadir de determinada coisa”. O Espírito Santo é aquele que realiza o novo nascimento no coração de uma pessoa, capacitando-a a ver e a entrar no Reino (João 3.1-8), em contraponto à obra do diabo, que cega o entendimento dos incrédulos (2Coríntios 4.3-4). Segundo Jesus, o Espírito Santo convenceria o mundo de três coisas: 1. Do pecado: É o Espírito Santo que leva uma pessoa a reconhecer, confessar e se arrepender de seus pecados, sendo o maior deles a incredulidade (16.9); o Espírito Santo convence as pessoas da necessidade de salvação; 2. Da justiça: O Espírito Santo, ao ser o outro conselheiro e testemunhar a respeito de Jesus, convence as pessoas de que Jesus é a justiça de Deus, ou seja, o meio de salvação (16.10); 3. Do juízo: O Espírito Santo convence as pessoas de que aqueles que não estão em Cristo serão condenados juntamente com o diabo (16.11). O Espírito Santo é de quem uma pessoa necessita para ser salva e santificada.

5.   O Espírito Santo é guia à verdade

Jesus chama o Espírito Santo de Espírito da verdade (14.17; 15.26; 16.13). É função do Espírito Santo guiar as pessoas à verdade, desmascarando, assim, a mentira (16.13). O Espírito Santo é de quem uma pessoa necessita para alcançar a verdade.

6.   O Espírito Santo é porta-voz do Pai e do Filho

O Espírito Santo anuncia palavras da parte do Pai e do Filho (16.13,15). O Espírito Santo anuncia o que está por vir (16.13). O Espírito Santo glorifica a Jesus como porta-voz dele (16.14). O Espírito Santo é de quem uma pessoa necessita para ouvir a voz de Deus.

III. Conclusão:

Você gostaria de viver tendo a companhia física de Jesus ao seu lado? O Espírito Santo é Deus conosco hoje, em substituição a Jesus. O Espírito Santo é tudo o que precisamos para termos uma vida bem-sucedida. Ele é a suprema necessidade da Igreja. Você já recebeu o Espírito Santo? Gostaria de recebê-lo nesta noite? Ela é a companhia de que você precisa. Você que já tem o Espírito Santo, está cheio dele e desfrutando de relacionamento com ele? Ele é a companhia de que você precisa.

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Sobre insightscristaos

Samyr Trad é teólogo, administrador e pastor na Igreja Batista Central de Belo Horizonte.
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